Vai e Faz!

28-09-2018

"Em Nova York fez-se uma experiência. Pediu-se a um grupo de seminaristas que preparassem uma homilia sobre a parábola do Bom Samaritano para aprenderem a pregar.
Eles preparam os seus textos num edifício e, a seguir, tiveram de descer a rua e ir para um estúdio, onde se faria a gravação em vídeo.

Um actor vestiu-se de homem ferido caído no passeio coberto de sangue, pedindo ajuda. Oitenta por cento deles passaram por ele e nem sequer o viram. Estudaram a parábola e até compuseram belíssimas palavras sobre ela, mas foram capazes de passar pelo ferido e ignorá-lo."

Esta história levanta-nos a seguinte questão: O que nos impede de agir? Talvez, diante do sofrimento do mundo, nos sintamos incompetentes? Que diferença pode fazer a minha insignificante pessoa? Mahatma Gandhi disse: «O que quer que façam será insignificante, mas é importante que o façam». Penso que cada um de nós deverá fazer a sua pequena boa acção, pois com a graça de Deus, ela pode vir a mudar o mundo.

Vejamos: Rosa Parks, uma americana negra que, em 1955, se recusou a ceder a um branco o seu lugar num autocarro. Um acto muito pequeno, decidido no momento, mas que abanou o mundo e contribuiu para acabar com a segregação racial. Outro: Um dominicano irlandês, Herbert McCabe, andava em viagem na África do Sul no tempo do apartheid, quando os brancos ocupavam a parte da frente dos autocarros e os negros a parte de trás. Herbert deliberadamente foi sentar-se num banco na parte traseira, e foi interpelado pelo revisor. «O senhor não se pode sentar aqui». «Por que não?». «Porque é branco». Ele respondeu: «Não sou branco, sou irlandês».

Vejam agora as palavras do Frei Timothy RADCLIFFE : "Há quem acuse a hierarquia da Igreja. Se, ao menos, a Igreja fosse diferente, eu poderia fazer alguma coisa! Se a Igreja reconhecesse o papel dos leigos, poderíamos agir! Mas pensem em Sta. Catarina de Sena no séc. XIV. Ela encontrava-se diante de uma Igreja dividida em duas, com um Papa a viver no exílio em Avignon, e foi ter com o Papa e disse-lhe o que ele devia fazer! Disse a Raymond Capua, Mestre da Ordem dos Dominicanos que, com o fogo do amor divino, «seremos construtores em vez de inactivos e destruidores». Muitas das pessoas que transformaram a Igreja, como S. Bento e S. Francisco, não eram ordenados. A transformação vem, geralmente, do povo de Deus.

Jesus diz: «Vai e faz tu também o mesmo» e não «Vai e faz a mesma coisa». Não diz ao
doutor da Lei o que ele tem de fazer. Ele é que tem de o descobrir. Será inesperado? Sim! Mas, se deixarmos a Palavra de Deus germinar nos nossos corações, acabaremos por o descobrir!