Sankofa é um pássaro africano de duas cabeças e
segundo a filosofia africana significa voltar ao passado para
aprender e com isso dar significado ao presente.
O pássaro tem uma cabeça voltada para o passado e outra cabeça voltada para o
futuro, simbolizando o resgatar a memória do passado para continuar fazendo história no presente.
Existe uma teoria acerca da vida e do modo como a vivemos que diz que devemos esquecer o passado para podermos seguir em frente, ou até mais que isso que só nos soltando das amarras do passado poderemos ser felizes vivendo o futuro.
Honestamente, não comungo desta teoria e é sobre isso que hoje quero-vos deixar estes pensamentos.
Sei que não é pacífico este entendimento mas para mim a expressão mais correcta seria "pensar o passado, viver o presente, sonhar o futuro".
A alusão ao pássaro africano remete para isso mesmo e penso que seja uma imagem feliz. Por um lado o pássaro (e aqui refiro-me ao ser humano como o pássaro) tem que voar sempre em frente mas por outro lado tem a cabeça voltada para trás como que dizendo que temos que seguir em frente mas sem esquecer o passado e alimentar-nos.
A
razão deste tema prende-se com a ideia que a mim sinceramente me irrita
(e que hoje em dia muito se vê por essas página do Evangelho que são as
nossas vidas) de que temos que olhar para o futuro... seguir em
frente... mas ao mesmo tempo abandonarmos as nossas raízes e aquilo que
nos faz ser aquilo que hoje somos.
Todo
o caminho tem uma história e se estamos num determinado ponto desse
caminho é porque já antes percorremos outros pontos desse mesmo caminho e
foi esse caminho que nos fez chegar onde estamos.
Abandonar
o passado é negar-nos a nós próprios, é esquecer quem já fomos! O
passado dá a substância à nossa existência e a força dos ensinamento
para viver o presente e projectar o futuro! Não reconhecer esta força
intrínseca é aceitar viver sem uma peça de nós próprios!
Não digo agarrar-nos ao passado porque isso não seria viver o presente, o que digo é que o presente é o somatório do passado vivido e muitas vezes temos que retornar a esse mesmo passado para recuperar-mos o que já foi esquecido!
Assim, em tudo, não devemos abandonar o nosso passado sob pena de perdermos a nossa própria identidade!