Sacrifício

27-12-2018

Vi recentemente um filme (que não tem nada a ver com religião) que a certo momento falava do que é o sacrifício. O que ouvi fez-me pensar e reflectir sobre este tema.

Normalmente entende-se (pelo menos na nossa cultura) sacrifício o acto pelo qual algo que para nós é importante nos é retirado contra a nossa própria vontade (basta pensar no exemplo do período da troika para perceber este sentido) mas que temos de aceitar esperando que isso nos traga um benefício no futuro. Outro sentido, e este já mais num óptica católica, é o acto em que voluntariamente abdicamos de algo. Neste caso, também é por um bem maior mas já sem esperar nenhuma recompensa em troca.

No entanto, a palavra "sacrifício" em hebraico (korban, le-hakriv) é da mesma raiz de chegar perto, aproximar-se, tornar-se intimamente envolvido em um relacionamento com alguém. Esta deveria ser a real intenção de quem se sacrifica. De facto, nenhuma palavra no idioma português consegue expressar adequadamente o profundo significado da palavra "korban" (קרבה) em hebraico. Assim, hoje usamos a palavra "sacrifício" por falta de outra que tenha o mesmo sentido do hebraico.

O real sentido da palavra "korban" é usado exclusivamente na Bíblia em hebraico para demonstrar o relacionamento e aproximação do homem com Deus. Ou seja, para entender a palavra sacrifício, temos que compreender sua raiz bíblica original.

Neste período que atravessamos em que celebramos o nascimento de Jesus Cristo, não posso deixar de notar o enorme sacrifício que Deus nos demonstrou ao enviar-nos o seu amado Filho.

Deus no seu infinito amor "sacrificou" o Seu Filho (no sentido de Ele chegar perto de nós "Homem" e tornar-se intimamente envolvido connosco e com a nossa felicidade enquanto "Homem" e "Povo de Deus", dado que todos fomos por Ele criados) sem nos pedir nada mais em troca que o nosso incondicional Amor. Não sei o que acham mas para mim parece-me que não foi mau negócio para nós Humanidade.

Assim, para além de celebrarmos o nascimento de Jesus Cristo, devemos procurar estimular cada vez mais o nosso relacionamento e aproximação a Deus, por forma a tentarmos chegar o mais próximo possível Dele. Como o fazer? Amando a Deus e ao próximo, tendo, tal como o Papa Francisco refere, especial atenção aos mais pobres e necessitados.