Li num outro dia num artigo a seguinte frase: "a caridade deve ser anónima, caso contrário é vaidade!
Este é de facto um dos aspectos do tema que queria abordar hoje...o fazer o bem em silêncio!
Como católico não posso deixar de recordar o que está escrito na Bíblia em Mateus 6:1-6 "Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles; de outro modo, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está no Céu." e "Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te.".
Para além disto, uma das minhas referências (e se lerem outros posts do blog podem perceber isso) é Teresa de Saldanha, que a propósito disto disse: "Desejo fazer o bem, trabalhar, mas pouco me importa que os outros o saibam, que os outros o vejam, o caso é criar raízes nos corações, e vejo que é este o espírito que o inspira. Quero fazer o bem em silêncio, pois assim se fazem as obras de Deus."
Muitas vezes temos a tendência de perguntar: e tu? Que fazes? A nossa ânsia de resultados palpáveis leva-nos a ter esta visão redutora do que nos rodeia. Muitas das vezes o bem está ser feito em silêncio e sem sinais palpáveis da sua actuação! É verdade que uma fé sem obras é uma fé vazia, mas lá porque não as vemos não quer dizer que não existam!
Então o que fazer? É preciso olhar com outros olhos! Lá porque encontras um cadeira vazia não quer dizer que ela tenha ali aparecido por si só (referência à imagem de fundo deste post). É preciso abstrair da noção de tempo e espaço porque o bem actua quando nós não vemos e onde nem sempre estamos. A verdade é que muitas das coisas que nos acontecem, acontecem porque o bem actuou bem antes disso. Nós é que estamos formatados para uma necessidade do binómio causa-efeito, acção-reacção! O tempo não é nosso...simplesmente habitamos nele!
Arrogar-nos à necessidade de sermos reconhecidos pelo bem que fazemos é o maior sinal de arrogância do Homem. Tal como disse D. Alexis Shirahama, Bispo de Hiroxima, que presidiu à peregrinação internacional aniversaria do 13 de Outubro, na Cova da Iria, "O Homem consegue destruir o mundo inteiro e a natureza com a sua arrogância. Acredito que a arrogância do homem é o maior inimigo no mundo de hoje. Como podemos cortar a cabeça deste inimigo?"
Não há prova mais sublime de amor (amor aqui no sentido de caritas - querer o bem do outro) do que fazer o bem pelo outro em silêncio. Sem esperar nada em troca. Assim criaremos verdadeiras raízes nos corações do Homem!